Trigo Limpo

Pela enésima vez, os funcionários públicos criam riqueza! Pela enésima vez, os funcionários públicos não vivem da riqueza produzida pelo privado!

Estes são apenas dois dos muitos mitos que envolvem os funcionários públicos. Vamos desmontá-los com dois exemplos.

Qual o impacto orçamental da proposta de taxa única da IL?

No programa para as legislativas de 2022, a IL propõe alterar o regime do IRS para uma taxa única de 15%, com isenção para rendimentos de trabalho até ao montante do mínimo de existência de vida, igual a 1.5 x 14 x IAS (indexante de apoios sociais), que corresponde a 664.80€ por mês para 2022. Para reduzir o choque inicial, propõe começar com um sistema temporário de duas taxas, 15% até aos 30,000€ e 28% acima, com a mesma isenção do sistema de taxa única. Em ambos, acrescenta-se também uma isenção mensal por filho por progenitor de 200€ ou de 400€ em famílias monoparentais, isto é, cada filho representa 400€ de isenção mensal.

Perguntamos qual o impacto orçamental desta proposta?

Ser pobre para salvar o ambiente? Se calhar, não.

No seu artigo “Quer fazer bem ao ambiente? Seja pobre.”, Luís Ribeiro conclui:

O que está a arruinar o planeta é termos dinheiro para gastar. Não se resolve o problema consumindo de forma mais consciente. Resolve-se consumindo muito, muito, muito menos. Resolve-se mudando drasticamente o modelo económico e social. Resolve-se abdicando do conforto e do bem-estar. Resolve-se dando vários passos atrás na qualidade de vida. Resolve-se tendo o nível de pobreza do Burundi.

O autor dá uma lista de factos que, à primeira vista, parecem desprovar o benefício (ou mostrar que é desprezável) de várias medidas ambientais que têm sido propostas ou tomadas. O texto segue um formato do “E fazer X? É que X faz pouco por (ou até mal a) Y.”, onde Y pode ser tanto emissões, como uso de terra, uso de água, entre outros. Não se define o problema para além do geral “Quer fazer bem ao ambiente?”, nem se usam indicadores relevantes de forma consistente. Salta-se de medida em medida, saltando-se de indicador em indicador, sempre o que mais convém. Por outras palavras, trata-se de uma sucessão de falácias do espantalho.

Com um pouco de atenção, vê-se que no final de contas, nem as fontes, nem os argumentos sustentam as conclusões finais. Assim, sinto que é necessário responder ao artigo, corrigindo vários erros e aprofundando (apenas ligeiramente) as discussões.